Mostrando postagens com marcador cantor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cantor. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Cantor seresteiro vira morador de rua

Dos oito anos de idade aos 12, Francisco Jesus Sousa, o “Raí”, era disputado por bares e restaurantes dos municípios de Aquiraz e Eusébio. Os tristes acordes de um violão e a voz possante que exalava romantismo enchiam os bolsos do garoto e alimentavam o sonho de um dia participar de um programa de auditório assistido em todo o Brasil.

Assim como a cada dia o sonho crescia, o menino também avançava na idade. E, em poucos anos, o garoto seresteiro era um homem. “Eu percebi um pouco tarde que a maior atração de meus shows era a minha pouca idade. E, de uma hora para outra, o menino de talento passou a ser visto como aventureiro, como boêmio”, conta Raí, hoje aos 44 anos, morador na praça José de Alencar, no Centro de Fortaleza.

Determinado a resgatar a carreira, o seresteiro chegou a Fortaleza há cerca de dois anos na companhia da esposa, com quem possui cinco filhas. “São quatro do coração e uma da nossa união. Minha esposa é o grande amor da minha vida e as meninas são uma benção. Ela já tinha as quatro meninas quando nos casamos, de papel passado e tudo. Depois veio a caçula para abençoar ainda mais a minha vida”, diz Raí, que há pouco mais de um ano foi abandonado pela mulher.

“Ela conheceu um morador de rua e voltou para Aquiraz, para a nossa casa. Fico preocupado com algumas histórias que ouço, em relação ao tratamento que esse homem dá às minhas filhas. Mas sei que um dia vou dar a volta por cima e orgulhar a minha família. Enquanto isso, Deus guarda a minha esposa e minhas filhas”, afirma o seresteiro, com lágrimas nos olhos.

Sem ver as filhas há mais de um ano e meio, Raí conta que a única visita que recebe é do genro – um jogador de futebol de uma equipe da Segunda Divisão do Campeonato Cearense. “É um rapaz que já jogou em time grande, mas mantém a humildade. Ele me paga almoço e me traz algumas roupas. É um dia muito feliz”, comenta.

Raí conta que o momento mais difícil da sua vida foi ter que pedir esmola pela primeira vez. “Eu estendia a mão para as pessoas, mas o braço tremia. Eu estava muito nervoso. Apesar da fome que sentia, eu chegava a desistir. Eu levantava do chão e caminhava um pouco. Reclamava de mim mesmo: ‘Meu Deus, isso é muita humilhação. Será isso o fim do poço?’. Mas a necessidade foi mais forte. A minha consciência é limpa porque nunca roubei ninguém e nunca usei o dinheiro das esmolas para drogas ou bebidas”.

Enquanto não concretiza o sonho de ser chamado para cantar em um programa de televisão (o seresteiro é fã de Raul Gil), Raí sussurra músicas evangélicas para manequins nas vitrines e pôsteres nas fachadas das lojas. “É o público que tenho hoje”, suspira.






Fonte: Informações sobral24horas.com

domingo, 13 de outubro de 2013

"Delírio Alcoólico": Gravação do primeiro cantor profissional do Brasil

Bahiano – Manuel Pedro dos Santos


O Bahiano foi cantor e compositor nascido em Santo Amaro da Purificação, BA, que gravou o primeiro samba da história da discografia brasileira, o histórico Pelo telefone (1916).



Delírio Alcoólico, primeiro registro musical sobre a cachaça, é de Manuel Pedro dos Santos, o Bahiano, que gravou, em 1913, a hilária cançoneta, considerada a abertura dos trabalhos da longa linhagem etílico-poética que viria em seguida.


Em 2006, a cançoneta foi regravada por Alfredo del-Penho & Pedro Paulo Malta.


Letra:

Oh Lua Cheia, cheia de graça
Esse teu bojo está repleto de cachaça
Apaga a luz sem ninguém ver
E abre-te ao meio o teu recheio
Estou danado por beber
Tu não és mais que um garrafão
Que aqui me prende em sacrossanta devoção
Oh vagabunda lá do espaço
Dá-me o braço e passo a passo
Vamos tomar um formidável bom pifão
Fui o primeiro astronomeiro
Que descobriu quem sabe és irmã da ópa
E que vem sempre ao butequim
Do Joaquim, o português
Que até dizia
“O vi tontim”
Tú és oh roda, redonda e branca
Perambulando pelo azul do firmamento
Neste momento és um acento
És uma anca de mulher
Numa concavidade ambígua de colher
De hoje pra trás, não bebo mais
Eis a promessa que hora faço com fervor
Eu só não bebo a aguarrás
Mas tu, oh lua, bebes chumbo derretido e pedes mais
Vivo na rua e tu no céu
Mas nos irmana o mesmo vício, o mesmo amor
Por isso para que mentir
Sou como tu de um crime réu
Se acaso é crime se beber até cair
Lua pau d’água a minha mágoa
É não morar no alambique a vida inteira
Tendo-te a ti por companheira
Na sempre eterna bebedeira
E na ressaca habitual
Nesta sarjeta cheia de lama
Onde me encontro vejo a coisa muito preta
Pois o tal de guarda noturno
É um malvado sem igual
Que vem soturno escangalhar minha bacanal
Oh lua adeus, deixa-me andar
Vou procurar algum lugar pra vomitar
Tenho a na boca a impressão
E a sensação do gosto mal
De um cabo de chapéu de sol
Fujo de ti, pois és capaz
De vomitar por sobre mim o Parati
Me encontrarás no botequim
Fiel ao que já prometi
De que não bebo nunca mais
De hoje pra trás








Fonte:Informações www.mapadacachaça.com.br

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Ventura Ramirez o talento de um artista completo

Ele é um mestre no violão 7 cordas, mas também canta muito bem e podemos dizer que: Ventura Ramirez é um artista completo.

Ventura Ramirez (Mombuca, 1939) é cantor, compositor e violonista brasileiro. Fez parte do grupo Demônios da Garoa tocando Violão de 7 cordas e também do regional de choro de Carlos Poyares. Em ambos os conjuntos esteve presente também Canhotinho no cavaquinho.

Ventura Ramirez começou sua carreira como calouro no programa de rádio de Hebe Camargo, ainda no final da década de 1950, assinando logo em seguida um contrato de 5 anos com a Rádio Nacional. Com seu talento nato ao violão e voz marcante, Ventura Ramirez logo entrou para o cenário musical brasileiro, acompanhando músicos renomados no choro e seresta, como Nelson Gonçalves, Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, Altamiro Carrilho, Orlando Silva, Luiz Gonzaga, Cartola, Lupicínio Rodrigues, além de participar do regional de choro de Carlos Poyares.

No início da década de 1960, ainda com o violão de 6 cordas, mas já com o seu estilo inconfundível nas “baixarias” que fazia com o instrumento, Ventura Ramirez é convidado a integrar o conjunto Demônios da Garoa, do qual fez parte por diversas vezes até 2005.

Pouco tempo depois de entrar no conjunto, Ventura Ramirez adotou permanentemente o violão de 7 cordas, instrumento que o consagrou como um dos seus melhores representantes. Foi ele quem levou pela primeira vez o 7 cordas para os Demônios da Garoa, criando uma das marcas registradas ainda hoje mantidas pelo conjunto, mesmo após o seu desligamento. O 7 cordas surgiu para o artista cedo ainda em sua vida musical, iniciada aos 13 anos de idade, vindo da necessidade que sentia ao achar, ainda cedo, o violão de 6 cordas “limitado”, por ter “poucas” cordas!


Ao longo de sua carreira de mais de 50 anos, Ventura Ramirez, atualmente com 74 anos e puro vigor, recebeu diversos prêmios e honrarias de renomados nomes. Entre eles, está o prêmio Roquete Pinto de Revelação do Ano em 1960, o Oscar da música brasileira há alguns anos. Naquele ano, Ventura Ramirez recebeu a notícia que fora premiado pelo apresentador Silvio Santos, seu então companheiro de Rádio Nacional e com quem excursionou pelo Brasil com a famosa “Caravana do Peru que Fala”, grupo de artistas comandado por Silvio Santos e que viajava pelo Brasil divulgando a música brasileira. Como outros importantes prêmios de sua carreira, Ventura Ramirez foi por 3 vezes agraciado com o Troféu Velho Guerreiro, do saudoso Chacrinha, sendo duas vezes solo e uma com os Demônios da Garoa; 14 vezes recebeu o diploma de Melhor da Semana pelo comunicador Helio Souto e outros diversos prêmios de grêmios estudantis, da Casa da Fazenda e da Secretaria de Cultura de São Paulo.

Ventura Ramirez é considerado um dos melhores violões de 7 cordas pela crítica musical do Brasil, com uma agilidade e domínio das cordas pouco vistas até os dias de hoje. Além de violonista e cantor, Ventura Ramirez é compositor e arranjador, tendo já várias músicas gravadas ao longo da discografia dos Demônios da Garoa e de outros artistas de renome no cenário nacional, como Waldick Soriano.

Em sua carreira solo, Ventura Ramirez já gravou diversos discos, sendo o mais recente deles o CD “Tributo a Nelson Gonçalves”, pela gravadora ZAN. Nelson foi seu amigo e companheiro musical, sendo, fora dos Demônios da Garoa, o cantor de cujas gravações mais participou. Seu timbre forte lembra bastante a voz do grande Nelson em seus momentos de mais forte vigor vocal. Ainda nos tempos dos LPs, Ventura Ramirez tem registrados 3 discos, sendo dois cantando e um instrumental com o violão de 7 cordas. Recentemente, Ventura Ramirez gravou também com artistas atuais do cenário musical brasileiro, como os consagrados Ivan Lins e Guilherme Arantes.

Como fiel representante da música tradicional brasileira, de um tempo áureo em que os artistas tinham necessariamente que ter talento e técnica, em seus shows, Ventura Ramirez passeia pelo repertório da seresta e dos grandes cantores de rádio, como Nelson Gonçalves, Orlando Silva e Silvio Caldas, além de, com o seu violão de 7 cordas, representar os maiores clássicos do choro e, é claro, do bom samba, tudo no melhor estilo de um dos mais importantes violonistas da história da música popular brasileira.






Fonte:Informações Wilkipédia

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Blogger Templates